Abastecer com combustível adulterado segue sendo um risco real para motoristas em diversas regiões do Brasil. Um estudo do Instituto Combustível Legal (ICL) revelou que 28% dos combustíveis comercializados no país apresentam algum tipo de irregularidade.
Ao longo de 2025, o instituto coletou 3.210 amostras de gasolina, etanol e diesel em postos localizados em 14 estados brasileiros, por meio de um método de fiscalização conhecido como “cliente misterioso”, no qual veículos abastecem de forma discreta e o combustível é posteriormente analisado em laboratório.
Do total de amostras coletadas, 888 foram consideradas fora dos padrões, resultando em um índice de não conformidade de 28%.
Fraudes mais comuns encontradas
Segundo o levantamento, a irregularidade mais frequente é a fraude volumétrica, quando a bomba entrega menos combustível do que o indicado no visor. Esse tipo de golpe representou a maior parte dos casos catalogados.
Na sequência aparecem:
- Baixa qualidade de gasolina e etanol
- Alto teor de etanol na gasolina
- Baixo teor de biodiesel no diesel
- Adulteração com metanol
De acordo com o diretor executivo do ICL, Carlo Faccio, a fraude volumétrica ocorre diretamente na bomba, com equipamentos adulterados que fazem o consumidor pagar por um volume maior do que o efetivamente abastecido. Em alguns casos, a diferença chegou a 31% do volume exibido no painel.
Crime organizado e riscos graves
Uma investigação da Polícia Federal, chamada de Operação Carbono Oculto, identificou a atuação do crime organizado na produção, adulteração e distribuição de combustíveis em pelo menos oito estados. O esquema envolvia desde usinas até distribuidoras.
Um dos pontos mais preocupantes do estudo foi a identificação do uso de metanol, substância altamente tóxica e corrosiva, proibida na composição de combustíveis. Em algumas regiões, foram encontrados combustíveis clandestinos com até 95% de metanol, o que representa risco não apenas para os motores, mas também para frentistas e consumidores.
“O metanol é extremamente nocivo. O contato pode causar cegueira e outros danos graves à saúde”, alertou Carlo Faccio.
Como o motorista pode desconfiar da fraude
A ANP orienta que mudanças no comportamento do veículo podem indicar problemas no combustível, como:
- Aumento repentino no consumo
- Perda de potência
- Falhas no funcionamento do motor
- Dificuldade na partida
Embora esses sinais não sejam prova definitiva de adulteração, servem como alerta para o condutor.
Regiões com maior incidência de irregularidades
Com base nas análises, o ICL elaborou mapas de calor apontando as chamadas zonas de risco, onde há maior probabilidade de fraudes. Entre os municípios com maior número de registros estão:
São Paulo: São Paulo, Campinas, Guarulhos, Santos, Jundiaí, Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul
Rio de Janeiro: Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Nova Iguaçu e São Gonçalo
Paraná: Curitiba e São José dos Pinhais
Minas Gerais: Belo Horizonte e Contagem
Bahia: Salvador, Lauro de Freitas e Camaçari
Goiás: Goiânia, Goianira e Anápolis
O estudo reforça a importância da fiscalização constante e da atenção do consumidor no momento do abastecimento. Combustível adulterado pode gerar prejuízos financeiros, danos mecânicos graves e riscos à saúde, tornando a escolha do posto um fator decisivo para a segurança do motorista.